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do "SNC"
O SNC - SISTEMA NERVOSO CENTRAL- é a parte que fica dentro
da caixa craniana, sendo o cérebro o principal órgão deste
sistema.
Assim, os ESTIMULANTES DA ATIVIDADE DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL
referem-se ao grupo de substâncias que AUMENTAM a atividade
do cérebro. Ou seja, ESTIMULAM o seu funcionamento, fazendo
com que a pessoa fique mais "ligada", "elétrica",
sem sono. Este grupo de substâncias é também chamado de PSICOANALÉPTICOS,
NOANALÉPTICOS, TIMOLÉPTICOS.
As substâncias que compõem o grupo de ESTIMULANTES DO SNC
são:
•[1] Nicotina
•[2] Cafeína
•[3] Anfetamina
•[4] Cocaína
[1] NICOTINA (TABACO) - ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS
Planta originária do continente americano, o tabaco já era
fumado pelos índios desde antes da chegada dos colonizadores
europeus. Esse hábito, como os demais de mascá-lo ou aspirá-lo,
foi sendo adquirido também pelos viajantes europeus que vinham
à América.
Foi, somente em 1560, que o uso do tabaco veio a tomar grande
impulso na Europa, a partir da propaganda de Jean Nicot -
diplomata francês cujo nome originou a palavra NICOTINA -
de que ela possuía "maravilhosos poderes curativos".
Foi Nicot que introduziu o seu uso na França.
Com o passar do tempo, o hábito de fumar tabaco havia se
propagado e, no século XVII, já era um vício generalizado
em toda Europa, alcançando também a África e Ásia.
O tabaco perde, contudo, sua auréola de "remédio para
todos os males", restringindo seu uso à população de
baixa renda. Mas aos poucos vai ganhando o gosto da nobreza
e da burguesia e, por fim, no início do século XVIII, é um
dos maiores valores de comércio internacional. O cachimbo
no século XVII, o rapé e o hábito de mascar no século XVIII,
assim como o charuto no século XIX, foram formas muito comuns
do uso do tabaco nas respectivas épocas. Mas a grande "democratização"
do consumo de tabaco veio a acontecer no século XX, com a
expansão do hábito de fumar cigarro. Originário dos "papeletes"
ou "papelitos" espanhóis do século XVII e do "cigarette"
francês do século XIX, o cigarro se popularizou de forma impressionante
no século XX, sobretudo depois da Primeira Guerra Mundial.
Apesar de existirem vozes se opondo ao uso do tabaco, este
sofreu uma expansão constante e crescente. Somente na década
de 60, com a revelação dos cientistas de que o cigarro provoca
câncer no pulmão e outros males, é que se deu início a uma
campanha contra seu uso. Certos grupos tomam esta campanha
como uma verdadeira "cruzada".
NICOTINA - EFEITOS FÍSICOS E PSÍQUICOS
Consumida por via oral ou nasal, a nicotina, componente do
tabaco, é considerada uma droga estimulante. Não possui nenhum
efeito terapêutico, provocando dependência física e psíquica.
Provoca tolerância, ou seja, o organismo adapta-se a sua presença
através de um processo biológico, e sujeita a síndromes de
abstinência os indivíduos que param de fumar de uma maneira
brusca.
Entre as 4 mil substâncias existentes na fumaça do tabaco,
a nicotina é a responsável pela dependência física, caracterizada
por sintomas de irritabilidade, palpitação, tontura, ansiedade
e fadiga.
[2] CAFEÍNA - ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS
A forma pura da cafeína foi extraída das plantas em 1820,
mas, atualmente, pode ser produzida em laboratório. Em nosso
dia-a-dia a encontramos em pequenas quantidades por meio do
café, do chá preto, chá mate, guaraná, coca-cola ou da noz
de cola.
CAFÉ
Infusão feita das sementes do cafeeiro, o café é a bebida
que contém cafeína mais consumida no mundo.
O cafeeiro é originário da Etiópia, tendo chegado à Arábia
no século XIII e à Turquia no século XVI. Mas é somente com
sua chegada à Itália, no princípio do século XVII, que se
dá sua grande expansão, pois começaram a surgir, desde então,
casas de café por toda Europa, servindo de local de encontro
e discussões sérias. Na segunda metade do século XVII, o café
chegou à América.
Antes de ser consumido da maneira que conhecemos, o café,
há cerca de 700 anos, foi uma comida, depois vinho e também
remédio.
No século XVII, em vários condados da Alemanha e na Rússia
Czarista, consumidores de café foram condenados à morte.
Tendo se popularizado com sua chegada à Europa, foram os
Estados Unidos, após sua independência, que se tornaram o
principal consumidor mundial, respondendo hoje pelo consumo
de cerca de 1/3 (um terço) do café cultivado no mundo. O Brasil
entra, por sua vez, na estatística do café com o primeiro
lugar entre os produtores, vindo acompanhado da Colômbia,
detentora do segundo.
Atualmente é também cultivado em Java, Sumatra, Índia, Arábia,
África Equatorial, Hawai, México, Antilhas, América Central
e outros países da América do Sul.
CHÁ OU CHÁ PRETO
A primeira referência ao chá, na literatura chinesa, data
de 350 d.C.. De origem chinesa, a lenda remete sua descoberta
ao imperador Chen Nung, no ano 2737 a.C.. Tendo se difundido
no Japão e outros países orientais, chegou à Europa por volta
de 1600, através de mercadores vindos do Oriente.
No século XVII, o chá consolidou-se como a bebida nacional
da Grã-Bretanha. Na segunda metade desse mesmo século, chegou
às colônias americanas. Em 1767, o governo britânico passou
a cobrar uma taxa pelo chá ali consumido. Esta taxa foi um
dos temas explorados pela resistência anticolonialista na
guerra de independência dos Estados Unidos.
Atualmente, o principal consumidor mundial é a Grã-Bretanha,
vindo logo em seguida os Estados Unidos. Na produção, o primeiro
lugar é da Índia, com a China em segundo. O chá também é produzido
no Japão, Sri Lanka, ex- União Soviética, Indonésia, Turquia,
Bangladesh, Irã, Taiwan, vários países da África e América
do Sul, inclusive Brasil.
ERVA MATE
Nativa da América do Sul, contém relativamente, uma grande
quantidade de cafeína. É consumida principalmente como chá
ou chá mate, ou chimarrão, bebida popular dos pampas, ou tererê,
este aqui popular no Paraguai.
A cultura da erva mate é uma grande indústria no sul do Brasil,
o Uruguai e Argentina, sendo deles exportadas em grande quantidade
para toda a América do Sul.
GUARANÁ
O fruto do guaranazeiro, arbusto trepador originário do estado
do Amazonas, seu cultivo foi iniciado pelos índios Maues.
Esses objetivavam, com o seu consumo, realizar trabalhos físicos
mais cansativos. O consumo era feito através de dissolução
do pó do guaraná em água.
O homem branco teve o primeiro contato com o guaraná por
volta do século XVI. É comum encontramos hoje refrigerantes
com nome guaraná, mas esses são normalmente feitos com sabor
artificial. A outra forma comum de consumo, que se assemelha
à dos índios Maues, vincula o guaraná à idéia de um produto
natural, sendo um produto, nesse caso, pouco popular.
CAFEÍNA - EFEITOS FÍSICOS E PSÍQUICOS
A cafeína é uma droga estimulante consumida por via oral,
que em pequenas quantidades aumenta a circulação por provocar
dilatação nos vasos sangüíneos. Não é tóxica mas pode, em
dose excessiva, produzir excitação, insônia, dores de cabeça,
taquicardia, problemas digestivos e nervosismo.
Alguns a usam para resolver problemas cardíacos, auxiliar
pessoas com depressão nervosa decorrente do uso do álcool,
ópio e outras drogas.
Porém alguns estudiosos não observam nenhum uso terapêutico
na cafeína, alertando para o perigo da dependência psíquica
e da síndrome de abstinência.
[3] ANFETAMINAS - ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS
Sintetizada pela primeira vez em 1887, as anfetaminas são
drogas estimulantes, ou seja, alteram nosso psiquismo, aumentando,
estimulando ou acelerando o funcionamento do cérebro e do
Sistema Nervoso Central.
São drogas sintéticas, fabricadas em laboratório, não sendo,
portanto, produtos naturais. Foi lançada no mercado farmacêutico
na forma de um inalador indicado como descongestionante nasal,
em 1932. Em 1937, iniciou-se o comércio de Benzedrina, um
comprimido para revigorar energias e elevar estados de humor.
Foi usado, durante a Segunda Guerra Mundial, pelas tropas
alemãs para combater a fadiga provocada pelo combate. Os Estados
Unidos também permitiram seu uso na Guerra da Coréia.
Por ser uma droga cujo uso terapêutico auxilia principalmente
na moderação do apetite, é facilmente encontrada nas farmácias,
que são obrigadas a vendê-la sob prescrição médica.
Além de inibidoras de apetite, as anfetaminas podem, também,
a partir de uma certa dosagem, provocar um estado de grande
excitação e sensação de poder. Esse uso se popularizou após
a Segunda Guerra Mundial, na década de 50.
Na gíria, as anfetaminas, essas drogas são conhecidas, por
exemplo, como "rebite" e/ou "bolinha".
"Rebite" é como são chamadas as anfetaminas entre
os caminhoneiros. Tendo um prazo para entregar determinada
mercadoria, eles tomam o "rebite", objetivando dirigir
à noite e não pegar no sono, ficando "acesos" e
"presos" ao volante. O uso entre jovens passou a
ser também freqüente. Usadas com o nome de "bolinha",
deixam a pessoa "acesa", "ligadona", provocando
um "baque". Procurando varar a noite estudando,
uma pessoa pode usá-las com o objetivo de realizar esta tarefa
por mais tempo, evitando o cansaço.
Mais ou menos em l970, inicia-se o controle da comercialização
- pois as anfetaminas passaram a ser consideradas drogas psicotrópicas,
sendo portanto ilegal seu uso sem acompanhamento médico adequado.
ANFETAMINAS - EFEITOS FÍSICOS E PSÍQUICOS
As anfetaminas provocam dependência física e psíquica, podendo
acarretar, com seu uso freqüente, tolerância à droga, assim
como a sua interrupção brusca, síndrome de abstinência.
Sendo consumidas por via oral ou injetadas, elas são consideradas
psicotrópicos estimulantes, por induzir a um estado de grande
excitação e sensação de poder, facilitando a exteriorização
de impulsos agressivos e incapacidade de julgar adequadamente
a realidade.
O uso prolongado de anfetaminas podem provocar forte dependência,
sendo que no extremo podem surgir alucinações e delírios,
sintomas denominados "psicose anfetamínica".
[4] COCAÍNA - ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS
É um produto extraído da planta "Erythroxylon coca",
ou, como é popularmente conhecida, "coca" ou "epadu".
Sendo uma planta tipicamente sul americana, é nativa dos
Andes, onde mascar sua folhas, "coquear", é um hábito
tradicional que remonta vários séculos. Sua principal função
é evitar a sede, a fome e o frio.
Podemos encontrar, em algumas sociedades andinas, um valor
cultural e mitológico ligado à coca.
Em certas sociedades, por exemplo, é aplicada a folha no
recém-nascido para secagem do cordão umbilical - que depois
é enterrado com as folhas, representando um talismã para o
resto da vida do indivíduo. Em certas cerimonias funerais,
é usada, também, mediante certos rituais, como forma de apaziguar
e tranqüilizar os espíritos.
O papel sócio-cultural da coca é importante em alguns países
andinos. Dois exemplos são o Peru e a Bolívia, onde é consumida
também sob a forma de chá, com propriedades medicinais que
auxiliam principalmente problemas digestivos. Sua importância
é tal que, neste primeiro país, existe até um órgão do governo
encarregado de controlar a qualidade das folhas vendidas no
comércio, o "Instituto Peruano da Coca".
Se em alguns países andinos a coca é um bem sócio-cultural,
histórica e tradicionalmente importante, em outros países,
como no Brasil, é vista como um "mal, algo a ser combatido
e exterminado de qualquer maneira". A lei destes países
procura taxar o seu uso como ilícito e a sociedade, em sua
maioria, procura estigmatizar seus usuários como "desviantes"
ou "marginais".
O uso mais comum nestes casos é sob a forma de sal - o cloridrato
de cocaína. É consumida via nasal, ou seja, aspirada, "cheirada".
Por ser uma droga cara, seu uso é dificultado a pessoas de
baixa renda.
Se o "pó", como é popularmente conhecido o sal
cloridrato de cocaína, é muito caro, favorecendo o seu uso
pelas camadas mais altas da sociedade, o uso da coca tornou-se
mais acessível à população de baixa renda com o advento do
"crack".
Esta é uma forma de uso que surgiu nos Estados Unidos, entre
a população negra, e que começou a se difundir no Brasil,
principalmente na periferia das grandes cidades. No crack,
a substância usada é a pasta básica de coca ("freebasing",
em inglês).
Mas não é só "cheirando o pó" ou "fumando
o crack" que se consome a cocaína, pode-se também injetá-la,
depois de diluída em água, na corrente sangüínea. O "pico"
como é conhecida esta forma de uso, produz um efeito chamado
de "rush" ou "baque".
COCAÍNA - EFEITOS FÍSICOS E PSÍQUICOS
A cocaína provoca sensação de euforia e bem-estar, idéia de
grandiosidade, irritabilidade e aumento da atenção a estímulos
externos.
Com o aumento da dose: reações de pânico, sensação de estar
sendo perseguido, às vezes alucinações auditivas e táteis
(escutar vozes, sentir sensação de bichos andando pelo corpo).
O quadro completo é chamado de "psicose cocaínica".
INTOXICAÇÃO aguda: em INTOXICAÇÃO com doses mais altas, quadro
de síndrome cerebral orgânica (SCO), caracterizado por confusão
e desorientação, podendo resultar em lesão cerebral.
Efeitos físicos: aumento da pressão arterial e da freqüência
cardíaca, podendo provocar infarto e arritmias que causam
morte súbita. Menciona-se ocorrências de convulsões generalizadas
e aumento da temperatura capaz de induzir convulsões. Com
a aplicação endovenosa, corre-se o risco de contrair-se os
vírus do hepatite e da AIDS.
NOMES POPULARES: Pó, neve, brisola, bright, branquinha, pico,
crack, coca, basuko, pedaço, farinha, etc.
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