| Depressores do "SNC"
Os DEPRESSORES DA ATIVIDADE DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL referem-se
ao grupo de substâncias que DIMINUEM a atividade do cérebro,
ou seja, DEPRIMEM o seu funcionamento, fazendo com que a pessoa
fique "desligada", "devagar", desinteressada
pelas coisas.
Este grupo de substâncias é
também chamado de PSICOLÉPTICOS. As substâncias que compõem
o grupo de DEPRESSORES do SNC são:
[1] ÁLCOOL
[2] INALANTES/SOLVENTES
[3] ANSIOLÍTICOS
[4] BARBITÚRICOS
[5] OPIÁCEOS (ópio, morfina, codeína/ziprepol,
heroína)
[1] ÁLCOOL - ASPECTOS
HISTÓRICOS E CULTURAIS
A palavra álcool origina-se do árabe al-kuhul: líquido.
As bebidas alcóolicas representam as drogas mais antigas
das quais se tem conhecimento, por seu simples processo de
produção. Obtidas pela fermentação de diversos vegetais, processo primitivo no início e depois cada vez mais sofisticado,
elas já estavam presentes nas grandes culturas do Oriente
Médio e são utilizadas em quase todos os grupos culturais
estando, em geral, relacionadas a momentos festivos.
Os mais antigos documentos da civilização egípcia descrevem
o uso do vinho e da cerveja. A medicina egípcia usava essências alcóolicas
para uma série de moléstias, enquanto meio embriagador contra
dores e como abortivo. O vinho entre os egípcios era bebido
em honra à deusa Isis.
O consumo de cerveja pelos jovens era comum, com relatos dos seus poderes afrodisíacos.
O seu uso social e festivo era bem tolerado, embora moralistas populares já se levantassem contra o seu abuso
"por desviar os jovens dos estudos".
A embriaguez, no entanto, era tolerada apenas quando decorrente
de celebrações religiosas, onde era considerada normal ou
mesmo estimulada.
Na Babilônia 500 a.C., a cerveja era oferta aos deuses. Nas
culturas da Mesopotâmia, as bebidas alcóolicas existiram,
com certeza, no final do segundo milênio a.C.; aos poucos,
a cerveja à base de cereais foi substituída por fermentados
à base de tâmaras. A fermentação da uva também é regularmente
mencionada. O uso medicinal de produtos alcoólicos é comum.
O consumo de álcool, nas civilizações gregas e romanas, é
bem conhecido. Ele era utilizado tanto pelo seu valor alimentício,
quanto para festividades sociais. Ressaltamos apenas a associação
entre o uso do vinho e certas práticas e concepções religiosas
representadas pela popular figura do Bacchus. Durante longos
períodos, o consumo de vinho era proibido para as mulheres,
interdito do qual testemunham também os relatos bíblicos.
Lembramos ainda que o vinho é parte integrante de cerimônias
católicas e protestantes, bem como no judaísmo, no candomblé
e em outras práticas espíritas.
O consumo de bebidas alcóolicas é amplamente difundido no
Brasil, onde se consome mais álcool per capita do que leite.
Nos anos 20, nos Estados Unidos, houve uma proposta de coibição
legal do uso de bebidas alcóolicas chamada de Lei Seca, porém
durou pouquíssimo tempo. As pressões
econômicas, além
de que o próprio consumidor encontrou uma forma sutil e prática
para alimentar suas necessidades fez com que essa iniciativa fracassasse..
O principal agente do álcool é o ETANOL (álcool etílico).
As bebidas alcóolicas são elaboradas a partir da fermentação
de produtos naturais:
Vinho: fermentação da uva.
Cerveja: fermentação de grãos de cereais.
Outros: fermentação do mel, cana-de-açúcar, beterraba, mandioca,
milho, pimenta,
arroz etc.
Bebidas alcóolicas destiladas - como cachaça, rum, uísque
ou gim - são obtidas através da destilação de bebidas fermentadas.
ÁLCOOL - EFEITOS FÍSICOS E PSÍQUICOS
Provoca um efeito desinibidor.
Em caso de uso mais intenso, pode favorecer atitudes impulsivas
e, no extremo, levar à
perda da consciência chegando-se ao coma alcoólico.
Com o aumento do seu uso, diminui a potência sexual.
O uso crônico de doses elevadas leva ao desenvolvimento de
dependência física e
tolerância.
Em caso de supressão abrupta do consumo, pode-se desencadear
a síndrome de
abstinência (confusão mental, com visões assustadoras, ansiedade,
tremores,
desregulação da temperatura corporal e convulsões).
Dependendo da gravidade dos sintomas, pode levar à morte.
"Delirium tremens": quadro de abstinência completamente
instalado (estado de
consciência turvo e vivência de alucinações, principalmente
táteis).
NOMES POPULARES: Birita, mel, mé, pinga, goró, cana, loirinha
etc.
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[2] INALANTES/SOLVENTES
- ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS
INALANTES: toda a substância que pode ser inalada, isto é,
introduzida no organismo através da aspiração pela boca ou
nariz.
SOLVENTES: substância capaz de dissolver coisas. Via de regra,
todo o solvente é uma substância altamente volátil, isto é,
evapora-se muito facilmente podendo, por isso, ser inalado.
Devido a essa característica, são, portanto, chamados de inalantes.
Muitos dos solventes ou inalantes são inflamáveis, ou seja,
pegam fogo facilmente.
Os solventes passam a ser utilizados como droga de abuso
por volta de 1960 nos EUA. No Brasil o uso de solventes começa
a aparecer no período de 1965-1970.
Hoje, o consumo de solventes se dá muito em países do chamado
Terceiro Mundo, enquanto que em países desenvolvidos a freqüência
de uso é muito baixa.
Os solventes são drogas muito utilizadas por meninos de rua
como forma de, por exemplo, sanar a fome e por estudantes
de 1º. e 2º. graus dado seu fácil acesso e baixo custo.
Eles podem ser aspirados voluntariamente (caso dos meninos
de rua que cheiram cola de sapateiro) ou involuntariamente
(trabalhadores de indústrias de sapatos ou de oficinas de
trabalho, expostos ao ar contaminado por essas substâncias).
O clorofôrmio e o éter chegaram a servir como drogas de abuso
em outros tempos e depois seu uso foi praticamente abandonado.
No Brasil, a moda voltou com os lança-perfumes trazidos da
Argentina. O clorofórmio é conhecido desde 1847 como anestésico,
mas foi abandonado porque surgiram anestésicos mais eficientes
e seguros. Assim também ocorreu com o éter. Há referências
ao abuso do éter como substituto do álcool durante a Lei Seca
nos Estados Unidos e durante a Segunda Guerra Mundial na Alemanha.
Por volta de 1960, os lança-perfumes, que eram feitos de
Cloreto de Etila, começaram a ser aspirados para dar sensação
de torpor, tontura e euforia. O Quelene, anestésico local,
formava par com o lança-perfume e era empregado fora das épocas
de Carnaval, quando a disponibilidade do lança-perfumes era
menor. Muitas pessoas morreram de parada cardíaca provocada
por essa droga e, por volta de 1965, o governo brasileiro
proibiu a fabricação dos lança-perfumes e do Quelene. Contudo,
começaram a surgir referências ao retorno do uso de lança-perfumes,
só que como um produto feito à base de clorofôrmio e éter.
INALANTES/SOLVENTES - EFEITOS FÍSICOS E PSÍQUICOS
Após a aspiração, o início dos efeitos é bastante rápido.
Entre 15-40 minutos já desapareceram. O efeito dos solventes
vai desde uma pequena estimulação, seguida de uma depressão,
até o surgimento de processos alucinatórios. Os principais
efeitos são caracterizados por uma depressão da atividade
do cérebro.
O aparecimento dos efeitos após a inalação foi dividido em
4 fases:
1a. fase: fase da excitação. A pessoa fica eufórica, aparentemente
excitada, ocorrendo tonturas e perturbações auditivas e visuais.
Podem aparecer náuseas, espirro, tosse, muita salivação e
as faces podem ficar avermelhadas.
2a. fase: a depressão começa a predominar. A pessoa entra
em confusão, desorientação, fica com a voz pastosa, começa
a ter a visão embaçada, perda do autocontrole, dor de cabeça,
palidez e começa a ver e a ouvir coisas.
3a. fase: a depressão se aprofunda com redução acentuada
do estado de alerta, incoordenação ocular, incoordenação motora,
fala "enrolada", reflexos deprimidos, já podendo
ocorrer processos alucinatórios.
4a. fase: aparece a depressão tardia, podendo chegar a inconsciência.
Há queda de pressão, sonhos estranhos, podendo ocorrer surtos
de convulsão. Há possibilidade de se chegar ao coma e à morte.
A aspiração repetida, crônica, pode levar à destruição dos
neurônios, lesões irreversíveis.
Os usuários podem apresentar-se apáticos, com dificuldade
de concentração e com déficit de memória.
Os solventes têm a propriedade de deixar o coração muito
sensível à adrenalina (uma substância produzida pelo corpo),
o que faz com que os batimentos cardíacos aumentem.
Os solventes, inalados crônicamente, podem levar a lesões
da medula óssea, dos rins, do fígado e dos nervos periféricos
que controlam os nossos músculos.
Não há, na literatura médica, afirmativas claras de que os
solventes possam levar à dependência. Também não se figura
síndrome de abstinência. A tolerância pode ocorrer, instalando-se
em um ou dois meses.
Os solventes estão presentes em muitos
produtos comerciais. Existem dois grupos principais:
1) Substâncias voláteis: éter, clorofórmio, gasolina, benzina,
fluido de isqueiro, carbex etc.
2) Substâncias usadas na indústria como solvente, diluente
e adesivas: cola de sapateiro, tintas, vernizes, removedores,
limpa-manchas, esmaltes etc.
Estes produtos pertencem a um grupo químico chamado Hidrocarbonetos
Aromáticos ou Afiláticos cujas substâncias ativas são: Tolueno,
N-hexano, Benzeno, Xilol, Acetato de Etila, Cloretila ou Cloreto
de Etila, etc.
NOMES POPULARES: Cheirinho da loló ou loló (preparado clandestino
à base de clorofórmio mais éter), lança-perfumes ou lança,
cola etc.
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[3]
ANSIOLÍTICOS - ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS
Os ansiolíticos surgiram em 1950, com o Meprobamato, que
praticamente desapareceu após a descoberta do Clorodiazepoxido,
em 1959. A partir daí, seguiu-se uma série de derivados que
se mostraram muito eficientes no controle da ansiedade, insônia
e certos distúrbios epilépticos.
Assim, as principais drogas pertencentes à classificação de
"ansiolíticos" são os Benzodiazepinicos.
A Benzodiazepina, sintetizada na década de 50, tem mais de
2.000 derivados. Existem 19 substâncias comercializadas no
Brasil, com mais de 250 nomes comerciais.
O Meprobamato foi sendo abandonado e as Benzodiazepinas dominam
completamente os tratamentos farmacológicos das neuroses e
das formas de ansiedade. Além da grande eficiência terapêutica,
mostraram-se drogas muito seguras. Tem uso terapêutico como
ansiolítico, hipnótico e síndrome de dependência do álcool.
O crescimento de seu consumo foi vertiginoso entre 1960 e
1980 e estima-se que cerca de 10% da população adulta dos
países desenvolvidos tomem Benzodiazepinicos, regular ou esporadicamente.
Estas drogas têm sido prescritas indiscriminadamente. Hoje
assistimos ao desenvolvimento de um novo padrão cultural,
a "cultura das benzodiazepinas", pelo qual as pessoas
encaram com permissividade o uso de um "calmante".
No Brasil, essa situação é mais grave, pois esses MEDICAMENTOS
são vendidos na farmácia sem a exigência de receita médica.
Estas drogas estão sendo usadas acima do que se justificaria,
do ponto de vista exclusivamente médico. Não poucos autores
tem comparado estas substâncias ao "Soma", descrito
por Aldous Huxley em "O Admirável Mundo Novo".
ANSIOLÍTICOS - EFEITOS FÍSICOS E PSÍQUICOS
Estimulam os mecanismos do cérebro que normalmente combatem
estados de tensão e ansiedade, inibindo os mecanismos que
estavam hiperfuncionantes, ficando a pessoa mais tranqüila,
como que desligada do meio ambiente e dos estímulos externos.
Produzem uma atividade do cérebro que se caracteriza por diminuição
da ansiedade, indução do sono, relaxamento muscular, redução
do estado de alerta.
Dificultam os processos de aprendizagem e memória.
Prejudicam, em parte, as funções psicomotoras afetando atividades
como, por exemplo, dirigir automóveis.
EFEITOS TÓXICOS
Misturados com álcool, seus efeitos se potencializam, podendo
levar a pessoa a estado
de coma.
Em doses altas a pessoa fica com hipotonia muscular ("mole"),
dificuldade para ficar de pé e andar, queda da pressão e possibilidade
de desmaios.
O seu uso por mulheres grávidas tem um poder teratogênico,
isto é, pode produzir lesões ou defeitos físicos na criança.
Quando usados por alguns meses, podem levar a pessoa a um
estado de dependência, ou seja, sem a droga a pessoa passa
a sentir muita irritabilidade, insônia excessiva, sudoração,
dor pelo corpo todo, podendo, nos casos extremos, apresentar
convulsões. Há figuração de síndrome de abstinência e também
desenvolvimento de tolerância, embora esta última não seja
muito acentuada.
NOME POPULAR: Calmantes.
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[4]
BARBITÚRICOS - ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS
Os barbitúricos foram descobertos no começo do século XX
e diz a história que o químico europeu que fez a síntese de
um deles, pela primeira vez, foi fazer a comemoração em um
bar. Lá encantou-se com a garçonete, linda moca que se chamava
Bárbara. Num acesso de entusiasmo, o cientista resolveu dar
ao composto recém descoberto o nome de Barbitúrico.
Em 1903, foi lançado no mercado farmacêutico o Veronal, que
se mostrava um promissor hipnótico, vindo substituir os MEDICAMENTOS
menos eficientes até então existentes. O próprio nome comercial
era uma alusão à cidade de Verona, sede da tragédia "Romeu
e Julieta", onde a jovem toma uma droga que induz um
sono profundo confundido com a morte para, em seguida, despertar
suavemente.
Os barbitúricos foram amplamente empregados como hipnóticos
até o aparecimento das Benzodiazepinas, na década de 60. A
partir daí suas indicações se restringiram. Hoje, alguns deles
são úteis como antiepilépticos.
Nos primeiros anos, não se suspeitava que causavam dependência.
Depois que milhares de pessoas já haviam se tornado dependentes
é que surgiram normas reguladoras que dificultavam a sua aquisição.
Até algum tempo atras, sedativos leves, que continham barbitúricos
em pequenas quantidades, não estavam sujeitos aos controles
de venda, podendo ser livremente adquiridos em farmácias.
Era o caso dos analgésicos. Vários remédios para dor de cabeça tinham o Butabarbital ou Secobarbital (dois
tipos de barbitúricos) em suas fórmulas.
O abuso de barbitúricos foi muito mais freqüente até a década
de 50 do que é hoje em dia.
BARBITÚRICOS - EFEITOS FÍSICOS E PSÍQUICOS
São capazes de deprimir (diminuir) várias áreas do cérebro.
As pessoas podem ficar sonolentas, sentindo-se menos tensas,
com uma sensação de calma e de relaxamento.
A capacidade de raciocínio e de concentração também ficam
afetadas.
Com doses maiores, causa sensação de embriaguez (mais ou menos
semelhante à de tomar bebidas alcóolicas em excesso), a fala
fica "pastosa", a pessoa pode sentir dificuldade
de andar direito, a atenção e a atividade psicomotora são
prejudicadas (ficando perigoso operar máquinas, dirigir automóveis
etc.). Em doses elevadas, a respiração, o coração e a pressão
sangüínea são afetados.
EFEITOS TÓXICOS
São drogas perigosas, pois a dose que começa a intóxicar
as pessoas está próxima da que produz efeitos terapêuticos
desejáveis. Os efeitos tóxicos são: sinais de incoordenação
motora, início de estado de inconsciência, dificuldade para
se movimentar, sono pesado, coma, onde a pessoa não responde
a nada, a pressão do sangue fica muito baixa e a respiração
é tão lenta que pode parar (a morte ocorre exatamente por
parada respiratória). Os efeitos tóxicos ficam mais intensos
se a pessoa ingere álcool ou outras drogas sedativas.
Os barbitúricos levam à dependência, desenvolvimento de tolerância,
síndrome de abstinência, com sintomas que vão desde insônia,
irritação, agressividade, delírios, ansiedade, angústia e
até convulsões generalizadas.
A síndrome de abstinência requer obrigatoriamente tratamento
médico e hospitalização, pois há perigo da pessoa vir a morrer.
NOMES POPULARES: Soníferos, bola, bolinha.
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[5] OPIÁCEOS
Opiáceos ou drogas opiáceas são substâncias derivadas do
ópio. Todas produzem uma analgesia (diminuem a dor) e uma
hipnose (aumentam o sono). Em função disso, recebem o nome
de NARCÓTICOS, sendo também chamadas de HIPNOANALGÉSICOS ou
ANALGÉSICOS NARCÓTICOS. São classificadas como substâncias
ENTORPECENTES podendo ser:
OPIÁCEOS NATURAIS: derivados do ópio que não sofreram nenhuma
modificação
(Ópio - Po' de Ópio, Morfina, Codeína)
OPIÁCEOS SEMI-SINTÉTICOS: resultantes de modificações parciais
das
substâncias naturais (Heroína)
OPIÁCEOS SINTÉTICOS ou OPIÓIDES: totalmente sintéticos, são
fabricados em
laboratório e tem ação semelhante à dos opiáceos naturais
(Zipeprol, Metadona)
[A] Ópio [C] Codeína e Ziprepol
[B] Morfina [D] Heroína
[A] ÓPIO - ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS
O ópio ("suco", em grego) é obtido a partir de
um líquido leitoso da cápsula verde da papoula (Papaver somniferum),
planta que cresce naturalmente na Ásia. É também chamada de
"dormideira", sendo originária do Mediterrâneo e
Oriente Médio.
Quando seco, o suco passa a se chamar pó de ópio. O ópio
é apresentado em barras de cor marrom e gosto amargo que podem
ser reduzidas a pó; aquecido produz um vapor amarelo que é
inalado. Pode ser dissolvido na boca ou ingerido como chá.
A papoula é legalmente cultivada, servindo de fonte de matéria-prima
a laboratórios farmacêuticos; contudo, em sua maioria, as
plantações são ilegais e destinam sua produção ao comércio
clandestino de ópio e heroína.
Entre os gregos antigos, o ópio era revestido de um significado
divino como símbolo mitológico poderoso.
Os seus efeitos eram considerados como uma dádiva dos deuses,
destinada a acalmar os enfermos.
Na China, desde tempos imemoriais, a planta da papoula era
símbolo nacional (tal como os ramos do café no Brasil). Parece
que o ópio foi introduzido na China pelos árabes no século
IX ou X.
As provas mais antigas do conhecimento do ópio remontam às
plaquinhas de escrever dos sumerianos, que viveram na baixa
Mesopotâmia (hoje o Iraque/Irã) há cerca de 7000 anos.
O conhecimento de suas propriedades medicinais chega depois
à Pérsia e ao Egito por intermédio dos babilônios. Os gregos
e os árabes também empregavam o ópio para fins médicos.
O primeiro caso conhecido de cultivo da papoula na Índia
data do século XI, no tempo do império Mongol (século XVI).
A produção e o consumo de ópio nesse pais já eram fatos normais.
O ópio era conhecido também na Europa, na Idade Média, e
o famoso Paracelso ministrava-o a seus pacientes.
Quando utilizado por prazer, era ingerido como chá. O hábito
de fumar ópio conta umas poucas centenas de anos. Em muitas
sociedades orientais tradicionais recorre-se ao ópio contra
dores nas enfermidades do corpo, mas também como tranqüilizante.
É também instrumento do relaxamento e de sociabilidade.
No século passado, a "British East Índia Company"
produzia ópio na Índia e o vendia para a China. A insistência
do governo chinês em reprimir a venda e o uso da droga que
se alastrava levou a um conflito com a Inglaterra, conhecido
como a "Guerra do Ópio". Os ingleses obrigaram a
China a liberar a importação da droga e como resultado, em
1900, metade da população adulta masculina chinesa era descrita
como dependente da droga.
Amplamente aceita como droga recreativa no Oriente e comprado
livremente na Inglaterra e Estados Unidos, até fins do século
passado, o ópio provocou o surgimento de "casas de ópio"
na maioria das cidades européias.
Foi somente no início deste século que o seu consumo começou
a ser proibido.
ÓPIO - EFEITOS FÍSICOS E PSÍQUICOS
As pessoas não iniciadas podem experimentar náuseas, vômitos,
ansiedade, tonturas e
falta de ar.
O dependente entra diretamente num estado de torpor, sentindo
os membros pesados
e o raciocínio lento.
A dependência e tolerância se desenvolvem rapidamente e o
dependente passa a sentir
tudo, menos prazer.
Privado da droga, tem tremores, suores, angústia, cólicas
e câimbras - sintomas da
síndrome de abstinência.
USO TERAPÊUTICO: Anti-diarréico e analgésico.
[B] MORFINA - ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS
A morfina é a mais conhecida das várias substâncias existentes
no pó de ópio. A palavra morfina vem do deus da mitologia
grega Morfeu, deus dos sonhos.
Foi isolada em 1806, sendo uma das mais potentes drogas analgésicas.
Após a constatação das desastrosas conseqüências do seu largo
emprego, a morfina foi relegada a um plano secundário em medicina.
Os mecanismos de fiscalização sobre a sua produção e comercialização
são severos. Só está disponível em soluções injetáveis e comprimidos
e seu uso é restrito a algumas situações médicas onde se impõe
o uso de um analgésico potente (como cânceres, queimaduras
extensas, grandes traumatismos). O mercado clandestino é restrito,
quase insignificante.
MORFINA - EFEITOS FÍSICOS E PSÍQUICOS
Os efeitos agudos da morfina são semelhantes aos do ópio,
mas mais potentes.
Tolerância e dependência também se instalam rapidamente.
O dependente de morfina vive em um estado de torpor e insensibilidade.
A síndrome de abstinência é muito grave, acompanhada de intensa
angústia, tremores, diarréia, suores e câimbras.
A hospitalização é sempre uma imposição nos tratamentos de
desINTOXICAÇÃO. A droga nunca é retirada bruscamente, havendo
necessidade de se estabelecer um programa de retirada progressiva
da droga ou sua substituição por derivados sintéticos mais
seguros.
[C] CODEÍNA E ZIPREPOL - ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS
A codeína, ou metilmorfina, é um alcalóide natural (opiáceo
natural) que compõe o ópio. O Ziprepol é uma substância sintética
(opióide), isto é, fabricada em laboratório.
Indicadas para tosses irritativas e sem expectoração (tosse
seca), são chamadas de substâncias antitussígenas, estando
presentes em xaropes e gotas para tosse. Os métodos usuais
de administração são oral ou endovenoso. A duração do efeito
é de 3 a 6 horas.
A codeína é um narcótico de origem natural mais amplamente
empregado na clínica médica. Mesmo sendo menos potente que
outros opiáceos, seu uso continuado induz a certa tolerância.
O Zipeprol, devido a sua grande toxicidade, foi recentemente
banido do Brasil (ou seja, está proibido fabricar ou vender
remédios à base desta substância no território nacional).
No ano de 1991, foram retirados do comércio remédios com Ziprepol. Isto
ocorreu pelo fato de que houve várias mortes de jovens que
abusavam destas substâncias, principalmente crianças de rua.
Os xaropes e gotas à base de codeína só podem ser vendidos
nas farmácias brasileiras com a apresentação da receita do
médico, que fica retida para posterior controle. Isto nem
sempre acontece, pois há estabelecimentos que, para ganhar
mais dinheiro, vendem estas substâncias por "baixo do
pano".
CODEÍNA E ZIPREPOL - EFEITOS FÍSICOS E PSÍQUICOS
A codeína possui os vários efeitos das drogas do tipo opiáceo.
Assim, é capaz de dilatar a pupila ("menina dos olhos"),
de dar uma sensação de má digestão e produzir prisão de ventre.
O Ziprepol, além da possibilidade de produzir convulsões,
pode também produzir náuseas.
O cérebro humano possui uma certa área - chamada centro da
tosse - que comanda os nossos acessos de tosse. A codeína
e o Ziprepol são drogas capazes de inibir e bloquear esse
centro da tosse. Assim, mesmo que haja um estímulo para retirá-lo,
o centro estando bloqueado pela droga não reage. A codeína
e o Ziprepol também agem em mais regiões do cérebro, inibindo
outros centros que comandam as funções de nossos órgãos.
Com a codeína, a pessoa sente menos dor (é analgésico) e
pode ficar sonolenta. A pressão do sangue, o número de batimentos
do coração e a respiração podem ficar diminuídas.
O Ziprepol pode atuar no cérebro, fazendo a pessoa sentir-se
aérea, flutuando, sonolenta, vendo ou sentindo coisas diferentes.
Com freqüência, leva também a acessos de convulsão, o que
é bastante perigoso.
A codeína, quando tomada em doses maiores do que a terapêutica,
produz uma acentuada depressão das funções cerebrais. Como
conseqüência, a pessoa fica apática, a pressão do sangue cai
muito, o coração funciona com grande lentidão e a respiração
torna-se muito fraca. A pele fica fria, pois a temperatura
do corpo diminui, e meio azulada, por respiração insuficiente.
A pessoa pode ficar em estado de coma, inconsciente, e, se
não for tratada, pode morrer.
A codeína leva rapidamente o organismo a um estado de tolerância.
Assim, não é incomum saber-se de casos de pessoas que tomam
vários vidros de xaropes ou de gotas para continuar sentindo
os mesmos efeitos. E, se deixam de tomar a droga, já estando
dependentes, aparecem os sintomas da chamada síndrome de abstinência.
Calafrios, câimbras, cólicas, nariz escorrendo, lacrimejamento,
inquietação, irritabilidade e insônia são os sintomas mais
comuns da abstinência.
Com o Ziprepol há, também, o fenômeno da tolerância, embora
em intensidade menor. O pior aspecto do uso crônico (repetido)
dos produtos à base de Ziprepol é a possibilidade da ocorrência
de convulsões.
USO TERAPÊUTICO: Antitussígeno
[D] HEROÍNA - ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS
Obtida a partir da morfina, é muito mais potente do que ela.
Conhecida como a "rainha das drogas" por causa de
seus efeitos. Foi sintetizada em 1874, em Berlim.
A palavra heroína vem do termo "heroich" que, em
alémão, significa potente, enérgico.
De início foi preconizada como substituta da morfina e chegou
a fazer parte dos MEDICAMENTOS analgésicos, antitussígenos
e hipnóticos. Hoje em dia, não tem qualquer indicação médica.
Na sua forma pura, é um pó branco e amargo. Vendida clandestinamente,
tem coloração que varia do branco ao marrom escuro, por causa
das impurezas deixadas pelos processos primitivos de obtenção
ou pela presença de talco, açúcar, corantes químicos, leite
em pó etc.
A via de administração preferida pelos usuários de heroína
é a endovenosa. Pode ser também aspirada ou fumada.
O uso de heroína é raro no Brasil. Por outro lado, os Estados
Unidos vivem uma situação epidêmica, cujo início se localiza
por volta da metade da década de 60, coincidindo com o envolvimento
dos americanos na guerra do Vietnã. Milhares de soldados adquiriram
o hábito de tomar heroína junto às populações do sudeste asiático.
Foi grande a quantidade de jovens que retornou da guerra dependente.
A grande dificuldade em ajudar os dependentes de heroína
levou vários países a criar os programas de "manutenção
pela metadona" - opióide sintetizado por químicos alémães,
durante a Segunda Guerra Mundial, em resposta à escassez de
morfina. A metadona é utilizada no tratamento dos dependentes
de heroína. Não desenvolve tolerância e o seu efeito pode
durar até quatro vezes mais que os efeitos de outros opiáceos.
HEROÍNA - EFEIT0S FÍSICOS E PSÍQUICOS
Os efeitos agudos são semelhantes aos obtidos com os outros
opiáceos: torpor e tonturas misturados com um sentimento de
leveza e euforia. As primeiras doses podem provocar náuseas
e vômitos.
Depois de instalada a dependência, há necessidade de ministrá-la
mais vezes a fim de prevenir os desprazeres da abstinência:
cólicas, angústia, dores pelo corpo, letargia, apatia e medo.
A tolerância instala-se rapidamente. A repetição das doses
nada mais faz a não ser aliviar estes sintomas.
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